Contratar jovem sem experiência: como estruturar isso sem virar dor de cabeça no seu negócio
Dado da OIT mostra desemprego jovem em alta no mundo. Veja o que isso significa para quem contrata em clínicas, salões, T.I. e prestadores de serviço.
O dado que todo empresário que contrata deveria conhecer
Um relatório recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que o desemprego entre jovens de 15 a 24 anos voltou a subir no mundo, chegando a 67 milhões de pessoas em 2025. A taxa global ficou em 12,4%, revertendo uma trajetória de melhora que vinha desde 2023. Outro dado chama atenção: 257 milhões de jovens no mundo estão fora do mercado de trabalho, fora da escola e fora de qualquer programa de capacitação.
O relatório também aponta algo que interessa diretamente a quem tem negócio no Brasil: a inteligência artificial e a automação estão afetando justamente as funções que tradicionalmente servem de porta de entrada para quem está começando a carreira — tarefas mais repetitivas, de suporte, de triagem, de atendimento inicial. Isso não significa que essas funções vão desaparecer da noite para o dia, mas significa que menos jovens estão conseguindo o primeiro emprego, e isso muda o perfil de quem chega até você buscando vaga.
Se você tem clínica, salão, escritório de T.I. ou presta qualquer tipo de serviço e emprega gente, esse cenário tem implicação direta na sua rotina de contratação — e também é uma oportunidade, se você souber estruturar bem.
Por que isso chega até o seu negócio
Dois efeitos práticos desse cenário valem atenção:
1. Mais candidatos sem experiência prévia batendo à sua porta. Com menos vagas de entrada disponíveis no mercado como um todo, você vai receber currículos de jovens qualificados no papel, mas sem nenhuma vivência prática. Isso não é necessariamente um problema — pode ser uma oportunidade de formar mão de obra do seu jeito — mas exige que você tenha processo, não improviso.
2. Pressão para usar contratos de aprendizagem e estágio como estratégia, não só como obrigação. Empresas de determinado porte já têm cota obrigatória de aprendizes prevista em lei. Mas o ponto aqui vai além do cumprimento de cota: programas estruturados de estágio e aprendizagem podem ser uma forma inteligente de captar talento barato, formar do seu jeito e reduzir o risco de contratar errado um funcionário CLT pleno sem saber se ele vai performar.
O que muda na prática se você decidir contratar jovens sem experiência
Contratar alguém no início de carreira tem implicações contábeis e trabalhistas específicas que vale ter no radar antes de sair oferecendo vaga:
- Contrato de aprendizagem tem regras próprias de carga horária, salário mínimo proporcional e obrigatoriedade de vínculo com entidade qualificadora (como o SENAI, SENAC ou similares). O custo trabalhista é diferente de uma contratação CLT comum — geralmente mais baixo, mas com regras específicas que seu contador precisa calcular certinho na folha.
- Estágio não é vínculo de emprego. Isso significa que não há os mesmos encargos trabalhistas de uma CLT, mas também significa que você não pode usar estagiário para fazer o trabalho de um funcionário efetivo. Tem limite de carga horária, precisa de convênio com instituição de ensino e supervisão documentada. Usar estágio de forma errada pode gerar reconhecimento de vínculo depois — e aí vem passivo trabalhista.
- Primeiro emprego CLT direto é mais simples burocraticamente, mas exige que você já tenha clareza de custo total (salário + encargos + benefícios) antes de prometer vaga. Contratar por impulso, sem esse cálculo, é um dos erros mais comuns de quem está crescendo o time.
Checklist antes de abrir vaga para quem está começando
Se você está pensando em aproveitar esse momento para montar um time mais jovem, ou estruturar um programa de estágio/aprendizagem, vale passar por isso antes de publicar a vaga:
- Já defini se a vaga é CLT comum, contrato de aprendizagem ou estágio — e sei a diferença de custo entre as três?
- Se for aprendizagem, já tenho ou vou buscar parceria com entidade qualificadora?
- Se for estágio, tenho convênio com instituição de ensino e um responsável para supervisionar de fato (não só no papel)?
- Calculei o custo total da contratação (não só o salário, mas encargos, benefícios e eventual rescisão futura)?
- Tenho um plano mínimo de treinamento nos primeiros 30 a 60 dias, ou vou simplesmente jogar a pessoa na rotina sem preparo?
- Sei quais tarefas da minha operação já estão sendo feitas ou poderiam ser feitas com apoio de ferramentas de automação/IA — e quais realmente exigem uma pessoa aprendendo o negócio?
O lado oportunidade: formar time pode ser mais barato que contratar pronto
Vale inverter a lógica: em um mercado com mais jovens buscando a primeira oportunidade, negócios pequenos e médios — que muitas vezes não competem em salário com empresas grandes — podem se beneficiar. Contratar alguém no início de carreira e formar essa pessoa dentro da sua cultura, com seus processos, tende a custar menos do que buscar profissional pronto no mercado, e cria um vínculo de lealdade que ajuda a reter talento depois.
O ponto de atenção é não tratar isso como mão de obra descartável e barata só porque “é jovem, tá começando”. Contrato mal estruturado, função mal definida ou ausência de qualquer plano de desenvolvimento tendem a gerar alta rotatividade — e cada desligamento tem custo de rescisão, retrabalho de recrutamento e impacto na operação.
O que fazer agora
Se esse cenário te fez pensar em abrir vaga de aprendiz, estágio ou primeiro emprego, o próximo passo é conversar com seu contador antes de publicar a vaga. Ele vai te ajudar a calcular o custo real de cada modalidade de contratação, confirmar se sua empresa se encaixa em obrigações de cota de aprendizagem e evitar que um contrato de estágio mal desenhado se transforme em passivo trabalhista mais adiante.
Estruturar bem desde o início custa uma conversa. Corrigir depois custa muito mais.
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