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Sua equipe interna também entra na NR-1: o que mudou e o que fazer na prática

NR-1 agora exige atenção a riscos psicossociais no trabalho. Veja o que isso muda para quem tem equipe interna e como evitar sobrecarga na rotina.

Sua equipe interna também entra na NR-1: o que mudou e o que fazer na prática

Se você tem funcionários registrados — seja na clínica, no salão, na empresa de T.I. ou em qualquer prestação de serviço — uma mudança recente na NR-1 (a norma que trata de segurança e saúde no trabalho) passou a exigir mais atenção do que antes: os riscos psicossociais entraram oficialmente no gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas.

Na prática, isso significa que sobrecarga, pressão excessiva de prazos, metas mal distribuídas e falta de canais para o funcionário reportar dificuldades deixaram de ser “só um problema de clima organizacional” e passaram a fazer parte do que a legislação trabalhista espera que a empresa monitore.

Esse assunto ganhou força justamente em setembro, mês em que a campanha de conscientização sobre saúde mental (o chamado Setembro Amarelo) reforça a importância de identificar sinais de sofrimento emocional antes que evoluam para quadros mais graves. Mas o recado vale para o ano inteiro — e para qualquer negócio com equipe própria, não só para escritórios de contabilidade.

O que mudou, em termos simples

Antes, o gerenciamento de riscos ocupacionais de uma empresa olhava principalmente para riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes — coisas como ruído, equipamento de proteção, ergonomia. Agora, a norma passou a incluir expressamente os fatores psicossociais relacionados à forma como o trabalho é organizado: distribuição de tarefas, volume de demanda em períodos de pico, relações entre equipe e liderança, e a existência (ou não) de canais para o trabalhador comunicar dificuldades.

Isso não significa que toda empresa vai ser fiscalizada amanhã por causa disso, nem que existe um risco automático de multa se um funcionário estiver estressado. Significa que a análise de riscos ocupacionais da empresa — aquele documento que já é obrigatório para negócios com empregados — precisa passar a considerar esses fatores também.

Por que isso importa para o seu negócio, e não só para escritórios de contabilidade

Se você é dono de clínica, salão, empresa de T.I. ou presta serviço com equipe registrada, provavelmente já convive com picos de demanda: fim de mês, lançamento de produto, temporada de maior movimento, fechamento de projeto. É exatamente nesses períodos que o risco psicossocial se manifesta com mais força — sobrecarga, jornada esticada, pressão por resultado.

A pergunta prática que a nova norma coloca é: sua empresa tem algum jeito de perceber isso antes que vire um problema maior — seja um afastamento, uma queda de produtividade ou um pedido de demissão?

O que fazer na prática (sem complicar)

Você não precisa virar especialista em segurança do trabalho para atender ao espírito da norma. Alguns passos simples já fazem diferença:

  • Olhe para a distribuição de trabalho nos picos. Se o mesmo funcionário sempre sobra com o volume maior de tarefas em período de alta demanda, isso é um sinal de que a distribuição precisa ser revista.
  • Abra um canal real de escuta. Não precisa ser formal ou caro — pode ser uma conversa periódica, uma pesquisa simples ou só deixar claro que o funcionário pode sinalizar quando a carga está pesada sem medo de represália.
  • Não confunda sinal de sobrecarga com diagnóstico. Perceber que alguém está estressado não significa que a empresa deva (ou possa) diagnosticar um transtorno mental. Isso é papel de profissional de saúde habilitado. O papel da empresa é organizar o trabalho de forma a reduzir os fatores de risco, não tratar a pessoa.
  • Revise o documento de gerenciamento de riscos ocupacionais da empresa. Se você já tem esse documento (obrigatório para quem tem empregados), verifique com quem elabora esse controle — geralmente uma consultoria de segurança do trabalho ou o próprio setor de DP/RH — se os fatores psicossociais já foram incorporados à análise.
  • Não trate o tema como “coisa de RH grande”. Empresas pequenas e médias também precisam observar esse ponto; o tamanho do negócio não isenta da atenção aos riscos ocupacionais dos funcionários registrados.

Onde a contabilidade entra nisso

A parte da folha de pagamento e das obrigações trabalhistas que sua contabilidade cuida — admissão, afastamentos, eventuais adicionais de insalubridade ou periculosidade, comunicação de acidente de trabalho — tem conexão direta com como a empresa gerencia riscos ocupacionais, incluindo os psicossociais. Um afastamento por transtorno relacionado ao trabalho, por exemplo, tem implicações na folha e no histórico da empresa perante o INSS.

O gerenciamento de riscos em si — o documento técnico, a identificação de fatores, o plano de ação — normalmente é conduzido por profissional ou consultoria especializada em segurança e saúde do trabalho, não pelo escritório de contabilidade. Mas vale a pena conversar com seu contador sobre como isso se conecta com a rotina de departamento pessoal, principalmente se sua empresa já tem ou está prestes a estruturar uma equipe maior.

Um lembrete para quem lidera a equipe

Se você é dono de negócio e sente que a pressão de prazos, clientes e resultado tem pesado sobre você mesmo, vale lembrar: cuidar da saúde mental da equipe passa também por cuidar da sua. Buscar apoio — seja com um profissional de saúde, seja com redes de apoio como o CVV, que atende gratuitamente pelo telefone 188 a qualquer hora — não é fraqueza, é parte de administrar um negócio de forma sustentável.

A norma mudou, mas o essencial continua o mesmo: negócio saudável é aquele que enxerga tanto o resultado financeiro quanto as condições em que as pessoas produzem esse resultado. Fique atento aos dois lados da equação — e, para os detalhes técnicos de como isso se aplica à sua folha e ao seu quadro de funcionários, converse com seu contador.

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