Gestão

Move Brasil ampliou o crédito para taxistas e motoristas de aplicativo: veja se você se encaixa

Teto do financiamento subiu para R$ 200 mil e mais carros híbridos entraram na lista. Entenda quem pode participar e como pedir.

O que mudou no Move Brasil – Táxi e Aplicativos

Se você é taxista ou motorista de aplicativo e já olhou o Move Brasil e desistiu porque o carro que queria “estourava” o limite de financiamento, vale reabrir essa conta. Uma portaria interministerial do MDIC e da Fazenda subiu o teto de valor dos veículos financiáveis de R$ 150 mil para R$ 200 mil, e ampliou a lista de modelos híbridos aceitos no programa.

Na prática, isso significa mais opções de carro dentro da faixa de crédito. Segundo o próprio governo, com o limite antigo cerca de 63% dos carros vendidos no país entravam na faixa de preço do programa. Com o novo teto, esse percentual sobe para perto de 88%. Ou seja: mais modelos, inclusive de categorias um pouco mais completas, passam a caber no financiamento.

Os híbridos também ganharam espaço. Agora entram modelos com diferentes combinações de motor elétrico e motor a combustão (álcool, gasolina ou os dois), não só as configurações mais restritas de antes.

Por que isso importa para quem vive de rodar

Para quem trabalha com transporte de passageiros, o veículo é o principal ativo do negócio — e também o maior custo fixo, entre financiamento, manutenção, combustível e depreciação. Um financiamento com taxa e condições mais favoráveis do que as linhas de crédito comuns pode ser a diferença entre trocar de carro de forma planejada ou ficar rodando com um veículo cada vez mais caro de manter.

Com o teto mais alto, quem antes ficava de fora por causa do valor do carro (ou tinha que se contentar com versões muito básicas) agora tem mais alternativas dentro do programa — incluindo carros um pouco mais robustos, o que pode ajudar tanto na durabilidade quanto na avaliação do passageiro em apps que consideram categoria do veículo.

Quem pode participar

O programa não é para qualquer motorista. As regras exigem, de forma geral:

  • Taxistas com registro ativo e regular;
  • Motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses na mesma plataforma;
  • Motoristas de aplicativo que tenham feito pelo menos 100 corridas nesse período, também na mesma plataforma;
  • Motoristas cooperativados, desde que atendam às condições específicas do programa.

Um ponto importante: passar pela análise de elegibilidade do Move Brasil não garante a aprovação do financiamento. Depois de confirmado que você atende aos critérios do programa, ainda existe uma etapa separada de análise de crédito feita pelo banco ou financeira. São duas peneiras diferentes — passar na primeira não significa passar automaticamente na segunda.

Como funciona o passo a passo

  1. Cadastro com conta Gov.br — o motorista entra na plataforma do programa e autoriza a consulta dos dados necessários para verificar se atende aos critérios (tempo de cadastro, número de corridas, situação como taxista, etc.).
  2. Resultado da elegibilidade — o sistema informa se o profissional está apto a participar.
  3. Concessionária e banco — estando apto, o motorista procura uma concessionária e uma instituição financeira participante do programa para de fato solicitar o financiamento.
  4. Análise de crédito — o banco faz a avaliação de crédito normal, considerando renda, histórico e demais critérios próprios da instituição.

Ou seja: o Move Brasil facilita o acesso e melhora as condições, mas não substitui a análise financeira de quem empresta o dinheiro.

O que avaliar antes de assinar o contrato

Antes de sair comemorando o teto mais alto e partir para o modelo mais caro que cabe no limite, vale parar e pensar com a cabeça de negócio, não só de motorista:

  • A parcela cabe no seu caixa real, não no otimista. Olhe a média dos últimos meses, não o mês bom.
  • Carro mais caro também é manutenção mais cara — e às vezes seguro mais caro também.
  • Se você é MEI ou tem CNPJ, o financiamento de um bem que gera receita para o negócio tem implicações contábeis e, dependendo do enquadramento, pode ter efeito sobre como você organiza suas despesas e sua margem. Vale conversar com seu contador antes de fechar negócio, para entender como esse financiamento se encaixa na sua contabilidade e no seu planejamento de caixa.
  • Compare com outras linhas de crédito disponíveis para o seu perfil — o Move Brasil pode ser vantajoso, mas nem sempre será a melhor opção para todo mundo, principalmente dependendo do banco parceiro e das condições que ele oferecer na prática.

Um contexto que vale mencionar

O programa foi lançado com a expectativa de movimentar um volume bem maior de crédito do que efetivamente movimentou até agora — a adesão ficou bem abaixo do previsto, entre outros motivos pela dificuldade de aprovação de crédito e baixa participação de bancos privados. A ampliação do teto e da lista de híbridos é justamente uma tentativa do governo de destravar esse gargalo e atrair mais gente para dentro do programa.

Isso não muda a decisão que você precisa tomar como profissional: vale a pena entrar no programa se o carro, a parcela e as condições fizerem sentido para o seu bolso e para o seu negócio — não porque “agora dá para financiar mais”.

Resumo prático

  • Teto de financiamento subiu de R$ 150 mil para R$ 200 mil (valor da nota fiscal do veículo);
  • Mais modelos híbridos passaram a ser aceitos;
  • Elegibilidade não garante aprovação — o banco ainda faz sua própria análise;
  • Cadastro é feito com conta Gov.br, e depois o processo segue com concessionária e instituição financeira;
  • Antes de assinar, avalie o impacto da parcela no seu caixa e, se tiver CNPJ ou MEI, converse com seu contador sobre como esse financiamento entra na contabilidade do seu negócio.

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